80 Flashcards Hypnare: Anestesia Pediátrica

80 FLASHCARDS HYPNARE: MÓDULO DE ANESTESIA PEDIÁTRICA AVANÇADA

Tema 1: Complicações e PCR em Pediatria

1/10

Qual a principal complicação respiratória temida associada à hiperreatividade da via aérea após IVAS em pediatria?

O Laringoespasmo, definido como o fechamento reflexo das cordas vocais, impedindo a ventilação. É o evento respiratório mais temido na pediatria.

2/10

Por quanto tempo a hiperreatividade da via aérea pode persistir após a resolução de um quadro de IVAS?

A hiperreatividade da via aérea pode persistir por até 6 semanas após a resolução do quadro infeccioso.

3/10

Cite 3 sinais de alerta que indicam o adiamento obrigatório de uma cirurgia eletiva em uma criança com IVAS.

1. Febre > 38,5°C (processo infeccioso mais ativo/grave). 2. Depressão do Estado Geral (letargia, irritabilidade extrema). 3. Tosse Produtiva com Escarro Purulento (sugere infecção bacteriana secundária).

4/10

Qual é o tempo de adiamento mínimo sugerido atualmente para casos de resfriado comum de baixo risco em cirurgia eletiva?

Atualmente, há uma tendência de sugerir pelo menos 2 semanas (ou até 4 semanas em casos moderados) após a resolução dos sintomas mais agudos, em vez das tradicionais 6 semanas.

5/10

Em uma criança com IVAS leve (não adiada), qual medida pré-operatória específica pode ser tomada para diminuir o risco de laringo/broncoespasmo?

Salbutamol Inalatório (2-4 jatos) administrado antes da indução anestésica.

6/10

Qual técnica de indução é preferível para minimizar a reatividade da via aérea em pacientes com IVAS?

A indução Venosa (ex: Propofol, Etomidato) é preferível, ou uma indução inalatória suave e lenta com gases de baixa irritabilidade (ex: Sevoflurano).

7/10

Qual é o principal fator de risco em neonatos e prematuros que determina a vigilância da apneia pós-operatória?

A Idade Pós-Menstrual (IPM): Prematuros até 60 semanas de IPM possuem risco inversamente proporcional. Recém-nascidos a termo (RNT) até 44 semanas de IPM também têm risco elevado.

8/10

Em cirurgia de hérnia inguinal em prematuro, qual técnica anestésica é preferível e por quê?

A Raquianestesia sem sedação é preferível, pois está associada a um risco significativamente menor de apneia pós-operatória em comparação com a anestesia geral.

9/10

Qual droga (metilxantina) é indicada para estimular o drive respiratório central em crianças de risco para apneia pós-operatória e qual a dose de ataque?

A Cafeína Citrato. A dose de ataque é de 20 mg/kg, administrada antes da cirurgia (especialmente para prematuridade extrema).

10/10

Por quanto tempo o risco de apneia pós-operatória persiste e onde a criança de alto risco deve ser monitorizada?

O risco persiste por 12 a 24 horas após a cirurgia. A criança de alto risco deve permanecer em UTI ou unidade de terapia semi-intensiva, com monitorização contínua.

Tema 2: Anomalias Congênitas Neonatais

1/10

Qual é o “grande vilão” da Hérnia Diafragmática Congênita (HDC) e como isso dita o manejo ventilatório?

A Hipoplasia Pulmonar e a Hipertensão Pulmonar. O manejo dita a estratégia de ventilação protetora: evitar VPP antes da IOT, manter Ppico abaixo de 20-30 cmH2O e tolerar hipercapnia permissiva (PaCO2 de 65-70 mmHg se pH > 7,2).

2/10

Na HDC, qual achado agudo deve levantar a suspeita de pneumotórax e de que lado geralmente ocorre?

Uma queda súbita na complacência pulmonar, pressão arterial ou oxigenação. O pneumotórax ocorre classicamente no lado contralateral (geralmente direito) à hérnia (que é tipicamente à esquerda).

3/10

O Óxido Nitroso (N2O) é contraindicado na HDC? Por quê?

Sim, é contraindicado. Devido ao risco de distender as alças intestinais (entupindo-as de ar) e piorar a compressão pulmonar e o risco de síndrome compartimental.

4/10

Qual é o tipo mais comum de Fístula Traqueoesofágica (FTE) e qual é a principal complicação respiratória que se tenta prevenir no pré-operatório?

Tipo IIIB (ou C): Esôfago superior em bolsa cega e esôfago inferior conectado à traqueia (90% dos casos). A principal complicação é a Pneumonia por Aspiração.

5/10

Na FTE, qual manobra de via aérea deve ser estritamente evitada antes da intubação e qual é o risco?

A Ventilação com Pressão Positiva (VPP) deve ser evitada. O risco é a distensão gástrica massiva (pela passagem de ar da traqueia para o estômago via fístula), que pode levar à rotura gástrica e instabilidade hemodinâmica.

6/10

Qual a diferença crucial entre Onfalocele e Gastrosquise em relação à presença de saco herniário e anomalias associadas?

Onfalocele: Possui saco herniário (recoberto por peritônio) e está associada a mais de 50% de outras malformações (ex: Trissomia do 21, Cardiopatias, HDC). Gastrosquise: NÃO possui saco herniário (vísceras expostas) e está associada a apenas 10-15% de malformações.

7/10

Quais os 3 riscos primários do manejo perioperatório da Gastrosquise, devido à exposição das vísceras?

1. Hipotermia (pela perda de calor via vísceras expostas). 2. Desidratação (pela grande perda de líquido). 3. Infecção.

8/10

Qual a complicação mais grave associada ao fechamento em um único estágio de Gastrosquise/Onfalocele?

A Síndrome Compartimental Abdominal, causada pelo edema intestinal e pela tensão no fechamento. Prejudica a ventilação (Ppico alta), dificulta o retorno venoso (instabilidade) e pode levar à lesão renal aguda.

9/10

Cite um critério de risco para o fechamento em estágios (com silo) na Gastrosquise.

Qualquer um dos seguintes: Pressão Intragonástrica/Intravesical > 20 cmH2O, Pressão Inspiratória Máxima (Ppico) > 35 cmH2O, ou CO2 Expirado (EtCO2) > 50 mmHg.

10/10

Qual a principal precaução neuroaxial a ser tomada em pacientes com Síndrome de Down (que pode estar associada à Onfalocele)?

Deve-se evitar rigorosamente a flexão do pescoço devido ao risco de instabilidade atlanto-occipital.

Tema 3: Reposição Volêmica em Pediatria

1/10

Qual a principal implicação clínica da maior Água Corporal Total (ACT) em neonatos e lactentes em relação à farmacologia?

Fármacos hidrossolúveis (ex: Succinilcolina) têm um Volume de Distribuição maior, exigindo doses iniciais (mg/kg) mais elevadas.

2/10

Até que idade a TFG atinge a maturidade adulta e qual a implicação disso no manejo volêmico?

A TFG atinge a maturidade por volta dos 2 anos de idade. A implicação é que a criança é vulnerável tanto à hipovolemia (desidrata fácil) quanto à hipervolemia (risco de congestão e hiponatremia iatrogênica).

3/10

Em que faixa etária é indicada a reposição de glicose no fluido de manutenção e qual a concentração ideal?

A reposição de glicose é indicada em menores de 1 ano. A solução ideal deve conter 1-2.5% de glicose.

4/10

Qual a principal mudança na abordagem moderna (ERAS) em relação ao déficit de jejum?

A tendência atual é oferecer líquidos claros até 2 horas antes do procedimento, minimizando o déficit. Se o jejum for prolongado, guiar-se pela clínica e repor com bolus de 10-20 ml/kg de cristaloide balanceado.

5/10

Qual a taxa de reposição para perdas de 3º espaço em uma cirurgia de porte MÉDIO?

A taxa deve ser de 5-7 ml/kg/h acrescidos à taxa basal de manutenção.

6/10

Qual é o Volume Sanguíneo Estimado (VSE) para um Recém-Nascido a termo e para um Lactente (< 1 ano)?

RN a termo: 90 ml/kg. Lactente (< 1 ano): 80 ml/kg. (Lembrete: Prematuro 100 ml/kg).

7/10

Qual a proporção de cristaloide ou coloide deve ser usada para repor o sangramento até atingir a Perda Sanguínea Aceitável (PSA)?

O sangramento deve ser reposto com cristaloide balanceado (3 mL para cada 1 mL de sangue perdido) ou coloide (1:1).

8/10

Qual a dose de Concentrado de Hemácias (CH) para crianças e o efeito esperado no Ht?

A dose é de 10-15 ml/kg de CH. Espera-se que 10 ml/kg eleve o Ht em 6-10% (e a Hb em 2-4 g/dL).

9/10

Qual a dose e as indicações para a administração de Plasma Fresco Congelado (PFC) em sangramento ativo?

Dose: 10-15 ml/kg. Indicações: Sangramento ativo com RNI > 1.5 ou após a transfusão de 1 volemia (para prevenir coagulopatia dilucional).

10/10

Qual eletrólito deve ser reposto agressivamente durante a transfusão rápida de hemoderivados e qual o tratamento?

O Cálcio Ionizado. O citrato presente nos hemoderivados quela o cálcio, causando Hipocalcemia (com risco de disfunção miocárdica/hipotensão). Tratamento: Cloreto de Cálcio (2.5 – 5 mg/kg) ou Gluconato de Cálcio (7.5 – 15 mg/kg).

Tema 4: Farmacologia Anestésica em Pediatria

1/10

Qual característica farmacocinética exige doses (mg/kg) mais altas de Succinilcolina em neonatos e lactentes?

O Maior Volume de Distribuição devido à maior Água Corporal Total (ACT) (a succinilcolina é hidrossolúvel). A dose pode chegar a 2 mg/kg para indução.

2/10

A menor ligação de fármacos a proteínas plasmáticas em neonatos aumenta o risco de toxicidade sistêmica para qual classe de agentes, como a bupivacaína?

Aumenta o risco de toxicidade para Anestésicos Locais (e outros fármacos ligados à albumina ou α1-glicoproteína ácida), pois a fração livre do fármaco aumenta.

3/10

Cite o único anestésico que apresenta metabolismo acelerado em neonatos e o mecanismo responsável por isso.

Remifentanil. Seu clearance é mais rápido devido à atividade já madura das esterases plasmáticas inespecíficas.

4/10

Qual é o nível vertebral de terminação do cone medular em neonatos e lactentes, e qual a implicação para a punção lombar?

O cone medular termina em L3 (vs. L1 no adulto). A punção lombar deve ser realizada abaixo de L3 para garantir uma margem de segurança e evitar trauma direto.

5/10

Qual o anestésico inalatório de escolha para indução em pediatria e por que o Desflurano/Isoflurano são evitados?

Sevoflurano, devido à sua não pungência e rápido início. Desflurano e Isoflurano são evitados para indução por serem pungentes, podendo causar tosse, laringoespasmo e broncoespasmo.

6/10

Em que faixa etária a CAM (Concentração Alveolar Mínima) atinge seu valor máximo?

A CAM é menor em neonatos, atinge seu valor máximo por volta dos 3 meses de idade, e depois diminui progressivamente.

7/10

Por que a Succinilcolina é contraindicada ou deve ser usada com extrema cautela em distrofia miotônica e doenças dos neurônios motores inferiores?

Distrofia Miotônica: Risco de contração miotônica intensa e prolongada. Doenças dos Neurônios Motores Inferiores: Risco de hipercalemia.

8/10

Qual o tratamento de emergência para a Toxicidade Sistêmica por Anestésico Local (LAST) em pediatria?

Garantir via aérea, tratar convulsões (Benzodiazepínicos) e iniciar imediatamente o protocolo de Infusão de Emulsão Lipídica a 20%.

9/10

Qual é a técnica de bloqueio regional mais comum em pediatria e qual a precaução em relação à agulha?

A Anestesia Caudal (ou Bloqueio Caudal). A agulha é inserida em ângulo de 45°, mas após perfurar o ligamento sacrococcígeo, deve ser nivelada e avançada apenas 2-3 mm no canal.

10/10

Qual a dose IM (Intramuscular) de Succinilcolina para um recém-nascido e uma criança maior, em caso de laringoespasmo refratário e sem acesso IV?

Recém-nascido: 5 mg/kg IM. Criança maior: 4 mg/kg IM. (Lembrar que a dose IV é 1-2 mg/kg, mas a dose IM é mais alta).

Tema 5: A Fisiologia Respiratória Pediátrica

1/10

Qual o marco de desenvolvimento pulmonar (em semanas de gestação) que estabelece o limiar de viabilidade fetal respiratória?

O surgimento da Superfície de Troca Gasosa no estágio sacular, por volta das 24 semanas de gestação.

2/10

Quais os alvos de saturação (SpO₂) progressivos em um RN em reanimação nos 5 e 10 minutos de vida?

5 min: 80-85%. 10 min: 85-95%.

3/10

Por que a caixa torácica da criança é “excessivamente complacente” e qual a implicação clínica disso no esforço respiratório?

É composta maioritariamente por cartilagem. Implicação: A caixa torácica “cede” para dentro (tiragem intercostal/subcostal), dificultando a geração de pressões negativas eficazes e aumentando o trabalho respiratório.

4/10

Até que idade a musculatura respiratória (diafragma e intercostais) da criança atinge a resistência à fadiga do adulto?

A proporção de fibras musculares do tipo I (resistentes à fadiga) aproxima-se da do adulto apenas por volta dos 2 anos de idade.

5/10

Qual é o consumo de O₂ (VO₂) da criança em relação ao adulto e como a pré-oxigenação é impactada?

O VO₂ da criança (6-9 ml/kg/min) é o dobro do adulto (3 ml/kg/min). Isso, combinado à baixa CRF, causa dessaturação muito rápida durante a apneia, tornando a pré-oxigenação obrigatória e crítica.

6/10

A alta relação VA/CRF na criança tem qual impacto direto na indução inalatória?

A relação VA/CRF na criança é cerca de 5 vezes maior que no adulto, resultando em uma indução inalatória extremamente rápida (e maior risco de superdose acidental).

7/10

Qual o papel do PEEP no manejo ventilatório pediátrico, relacionado à Capacidade Residual Funcional (CRF) e Capacidade de Fechamento (CF)?

A anestesia geral reduz a CRF. Em decúbito dorsal, a CF pode exceder a CRF, causando colapso alveolar. O uso de PEEP é fundamental para manter a patência alveolar (mantendo o volume próximo da CRF).

8/10

Por que o espaço morto adicionado pelo circuito ventilatório é criticamente importante na ventilação pediátrica?

Embora o espaço morto fisiológico (2.2 ml/kg) seja comparável ao do adulto, qualquer espaço morto adicional do circuito tem um impacto proporcionalmente muito maior no volume corrente e na ventilação alveolar efetiva da criança (que tem volumes menores).

9/10

Qual a idade pós-concepção mínima recomendada para o adiamento de procedimentos eletivos em neonatos prematuros, devido ao risco de apneia pós-anestésica?

Procedimentos eletivos em prematuros devem ser adiados até pelo menos 50 semanas pós-concepção (o texto menciona 50 ou 60 semanas, sendo 50 o limite usualmente aceito).

10/10

Quais as 3 características que resumem a fisiologia respiratória pediátrica para o anestesista?

1. Alto consumo (de O₂). 2. Baixa reserva (CRF). 3. Mecânica desfavorável (caixa torácica complacente e diafragma fatigável).

Tema 6: A Via Aérea Pediátrica

1/10

Qual a principal manobra de posicionamento necessária na laringoscopia pediátrica para alinhar os eixos e o que a torna diferente do adulto?

Colocar um coxim sob os ombros (em vez da cabeça) para compensar o occipital proeminente e alinhar o meato acústico com a incisura esternal.

2/10

Em que nível cervical está a glote de um neonato e qual o formato e posição da epiglote que ditam a escolha da lâmina?

Glote ao nível de C3-C4 (mais cefálica/anterior). A epiglote é longa, mole, em formato de “ómega” e cefálica, por isso a lâmina reta (Miller) é frequentemente preferida para pegar a epiglote.

3/10

Em crianças com menos de 5 anos, qual é o ponto funcionalmente mais estreito da via aérea?

A Cartilagem Cricoide (a laringe tem formato de funil), e não as cordas vocais como no adulto. Forçar um tubo largo pela cricoide causa edema e crupe pós-operatório.

4/10

Em crianças de 1 a 3 anos, o que torna a intubação seletiva no brônquio direito ou esquerdo igualmente provável?

Em crianças até cerca de 3 anos, os ângulos dos brônquios principais são simétricos (cerca de 30 graus para ambos os lados), diferentemente do adulto.

5/10

Qual a implicação da Lei de Poiseuille para o edema de mucosa de 1 mm na via aérea pediátrica?

A resistência é inversamente proporcional à 4ª potência do raio (R ∝ 1/r⁴). Um edema de 1 mm pode reduzir a área transversal da traqueia em mais de 60%, aumentando drasticamente a resistência e o trabalho respiratório.

6/10

Qual a fórmula para o cálculo do diâmetro do Tubo Endotraqueal (TET) SEM balonete para crianças maiores de 2 anos?

Diâmetro (mm) = (Idade / 4) + 4.

7/10

Qual o princípio do Teste de Fuga (“Leak Test”) e a faixa de pressão ideal?

Deve haver uma fuga de ar audível (com o cuff desinsuflado) com pressões inspiratórias entre 15 e 30 cmH₂O. Ausência de fuga = tubo muito grande; fuga com pressões muito baixas = tubo muito pequeno.

8/10

Qual o tamanho de TET para um RN pré-termo e um RN a termo?

RN Pré-termo: 2.5 – 3.0 mm. RN a Termo: 3.0 – 3.5 mm.

9/10

Para crianças acima de 3 kg, qual a regra prática de profundidade de inserção do TET?

Regra “Até 3, 123”: Profundidade de fixação no lábio (cm) é aproximadamente o triplo do diâmetro interno do tubo. (Ex: Tubo 4.0 → fixar em 12 cm).

10/10

Qual o padrão-ouro para a confirmação da intubação traqueal em pediatria?

A Capnografia com onda contínua.

Tema 7: O Sistema Nervoso Autônomo em Anestesia Pediátrica

1/10

Qual ramo do SNA está completamente desenvolvido ao nascimento e qual a implicação clínica disso na anestesia?

O sistema Parassimpático (Vagal) está completamente desenvolvido, resultando em um predomínio vagal e bradicardia como resposta primária à estimulação (laringoscopia, hipóxia, dor).

2/10

O que torna o débito cardíaco do neonato e lactente quase inteiramente dependente da frequência cardíaca?

O coração infantil opera com um volume sistólico relativamente fixo (menos complacente), e a bradicardia resulta em queda desproporcional do débito cardíaco.

3/10

Qual a principal causa de bradicardia e parada cardíaca em anestesia pediátrica?

A Hipoxemia é a principal causa de bradicardia e parada cardiorrespiratória intraoperatória na população pediátrica.

4/10

Qual a frequência cardíaca mínima aceitável para crianças de 1 a 5 anos, segundo referências como o Barash?

Crianças de 1 a 5 anos: > 80 bpm (enquanto menores de 1 ano: > 100 bpm; acima de 5 anos: > 60 bpm).

5/10

Qual a droga recomendada para a pré-medicação com Succinilcolina em pediatria e a dose?

A pré-medicação com Atropina (20 mcg/kg) é fortemente recomendada para mitigar o risco de bradicardia induzida pela Succinilcolina (efeito vagal).

6/10

Qual o primeiro e mais importante passo no manejo da bradicardia em anestesia pediátrica?

Descartar Hipóxia! Ventilar com O₂ a 100% e garantir a via aérea, pois a hipoxemia é a causa mais comum.

7/10

Em bradicardia persistente que não responde à Atropina, qual a droga e dose de segunda linha?

Epinefrina (Adrenalina), na dose de 10 mcg/kg (dose de vasopressor/inotrópico, não de PCR).

8/10

A hipotensão com frequência cardíaca normal ou aumentada em crianças geralmente indica o quê? Qual o tratamento primário?

Geralmente indica Hipovolemia. O tratamento primário é a reposição de volume (fluidos), e não o uso de vasopressores.

9/10

Por que a Anestesia Espinhal causa hipotensão mínima em neonatos e lactentes, diferentemente do adulto?

Devido à imaturidade basal do sistema simpático e à baixa resistência vascular sistêmica (RVS) pré-existente, a simpatólise induzida pelo bloqueio neuroaxial tem um impacto atenuado na pressão arterial.

10/10

Em relação ao consumo de O₂ (VO₂) e Débito Cardíaco (DC), como o neonato se compara a um adulto?

O neonato tem alto consumo de O₂ (7 ml/kg/min) e altíssimo Débito Cardíaco em repouso (400 ml/kg/min), ambos muito maiores que no adulto (3 ml/kg/min e 70-80 ml/kg/min, respectivamente).

Tema 8: Circulação Fetal ao Manejo Perioperatório

1/10

Quais são os 3 shunts essenciais da circulação fetal e qual o papel do ducto venoso?

Forame Oval, Ducto Arterioso e Ducto Venoso. O Ducto Venoso desvia sangue oxigenado da Veia Umbilical diretamente para a VCI, fazendo um bypass hepático, para nutrir o cérebro e coronárias.

2/10

Qual é o principal gatilho fisiológico para a queda abrupta da Resistência Vascular Pulmonar (RVP) ao nascimento?

A expansão pulmonar (primeira respiração) com Oxigênio. O aumento da PaO₂ atua como um potente vasodilatador pulmonar.

3/10

O que causa o fechamento funcional do forame oval e do ducto arterioso, respectivamente?

Forame Oval: Aumento da pressão no átrio esquerdo (pelo aumento do fluxo pulmonar). Ducto Arterioso: Aumento da PaO₂ e queda nos níveis de Prostaglandina E2 (PGE2).

4/10

Por que o miocárdio neonatal é sensível à depressão por anestésicos e à hipocalcemia?

Devido à imaturidade estrutural (miofibrilas desordenadas) e à dependência do cálcio extracelular para a contração, tornando-o vulnerável a agentes que deprimem o inotropismo e a flutuações eletrolíticas.

5/10

Quais os 4 fatores anestésicos/cirúrgicos que podem aumentar a RVP e levar à Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPRN)?

1. Hipóxia. 2. Hipercapnia. 3. Acidose. 4. Hipotermia/Dor (também). Estes fatores causam vasoconstrição pulmonar.

6/10

Qual vasodilatador pulmonar específico é o de primeira linha em casos de HPPRN grave e qual a medida salvadora?

Óxido Nítrico inalado. A medida salvadora em casos refratários é a ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea).

7/10

O oxímetro no membro superior direito reflete a saturação pré ou pós-ductal? Qual o significado de uma diferença > 3% entre os membros?

Reflete a saturação Pré-Ductal. Uma diferença > 3% é sugestiva de shunt direita-esquerda pelo ducto arterioso (o sangue menos oxigenado entra na aorta descendente).

8/10

Em crises hipercianóticas de Tetralogia de Fallot (Shunt D-E), qual o objetivo hemodinâmico e qual vasopressor é usado para alcançá-lo?

Objetivo: Aumentar a Resistência Vascular Sistêmica (RVS) para que o sangue “prefira” ir para os pulmões. Vasopressor: Fenilefrina (vasopressor puro que aumenta a RVS).

9/10

Por que o uso de hemoderivados (ex: CH) é necessário no preparo (priming) do circuito da Circulação Extracorpórea (CEC) em bebês?

O volume do circuito da CEC é muito maior que o volume sanguíneo do bebê. O uso de hemoderivados é necessário para evitar hemodiluição excessiva (Ht muito baixo) no início da CEC.

10/10

Em pacientes com Shunt Esquerda-Direita (ex: CIV, CIA), qual estratégia ventilatória deve ser evitada?

Deve-se evitar a Hiperventilação (alcalose respiratória), pois ela é um potente vasodilatador pulmonar, podendo diminuir a RVP e piorar o shunt E-D (aumentando o fluxo para os pulmões).