Guia de Estudos

A Anestesiologia é uma especialidade fascinante, onde a precisão farmacológica encontra a arte do cuidado. E, no coração da nossa prática, estão os anestésicos inalatórios — a chave para a manutenção da anestesia geral. Mas como exatamente essas moléculas funcionam, e o que as tornam tão especiais?

 

Este guia foi feito para você, residente, que deseja dominar a farmacologia desses agentes. Mergulhe conosco em uma revisão completa dos princípios que regem a captação, distribuição, metabolismo e toxicidade dos anestésicos inalatórios, transformando conceitos complexos em conhecimento prático.

 

O Que Você Precisa Saber para Dominar a Anestesia Inalatória

 
  1. 1. Captação, Distribuição e Eliminação

  2.  
    • Compartimentos: O sistema de captação e distribuição dos anestésicos inalatórios pode ser simplificado em três compartimentos principais: o circuito anestésico, os pulmões (alvéolos) e o sangue que transporta o gás para os tecidos (SNC, músculos, gordura).
    •  
    • O Conceito de Gradiente: Como você bem colocou, os agentes inalatórios não dependem de uma alta concentração sérica para seu efeito, mas sim de um gradiente de pressão. O objetivo da farmacocinética inalatória é atingir o equilíbrio de pressões parciais entre o alvéolo, o sangue e, finalmente, o cérebro.
    •  
  3. 2. Fração Alveolar ( Fração Inspirada (): A Chave da Indução

  4.  

2.1. Fração Inspirada (): É a concentração (fração) do anestésico que o paciente inspira. Essa é a concentração que você define no seu vaporizador.

 

2.2 Fração Alveolar (): É a concentração (fração) do anestésico que atinge o alvéolo e, a partir daí, se difunde para o sangue e os tecidos, incluindo o cérebro. A representa a concentração do gás que está, de fato, agindo no paciente.

 

2.3 A Relação : A velocidade de indução está diretamente relacionada à velocidade com que a concentração do anestésico no alvéolo () se aproxima da concentração inspirada () entregue pela máquina. O nosso objetivo durante a indução é fazer com que a se aproxime da o mais rápido possível para atingir a pressão parcial ideal no cérebro.

  1.  
  2. 3. Solubilidade: O Fator Crítico na Indução Rápida


    • A solubilidade é o fator que determina a rapidez com que um anestésico inalatório passa dos alvéolos para o sangue, e do sangue para o cérebro. Ela é medida pelo coeficiente de partição sangue/gás.
    • A solubilidade pode ser entendida como a afinidade do anestésico pelo sangue. Um anestésico com alta solubilidade é “sequestrado” pelo sangue, que funciona como um reservatório farmacologicamente inativo. Isso faz com que uma quantidade maior do gás seja retida no sangue antes de ser entregue aos tecidos.

    • A Conexão com a Indução:

      • 3.1 Baixa solubilidade: O anestésico se dissolve menos no sangue, permitindo que sua pressão parcial () aumente rapidamente no alvéolo. Isso cria um grande gradiente de pressão que acelera a passagem para o cérebro, resultando em uma indução mais rápida. É o caso do Desflurano e do Óxido Nitroso.
      •  
      • 3.2 Alta solubilidade: O anestésico é “retido” pelo sangue, retardando seu acúmulo no alvéolo e, consequentemente, sua chegada ao cérebro. Isso é observado com agentes mais antigos, como o Halotano e o Metoxiflurano, que exigem um tempo maior para a indução.
      •  

  1. Tabela 1. Resume a relação de solubilidade e CAM para os principais agentes.
  2.  
  3. 4. Fatores que Influenciam a e a Velocidade de Indução

  4.  

A curva versus tempo é um dos conceitos mais importantes e frequentemente testados. Ela demonstra visualmente como a concentração no alvéolo se aproxima da concentração inspirada ao longo do tempo. A inclinação da curva é determinada por três fatores principais que você precisa dominar:

 

  • 4.1 Fatores que ACELERAM a indução:

    • 4.1.1 Baixa Solubilidade: A principal força motriz. Agentes com baixa solubilidade (como Desflurano) se dissolvem menos no sangue, permitindo que a pressão parcial no alvéolo suba rapidamente.
    •  
    • 4.1.2 Baixo Débito Cardíaco: O sangue flui mais lentamente para o corpo, reduzindo o “sequestro” do anestésico. Isso permite que a concentração no alvéolo se acumule mais rapidamente.
    •  
    • 4.1.3 Alto Fluxo de Gases Frescos (FGF): Um alto fluxo de FGF garante que a concentração inspirada de anestésico seja mantida de forma consistente e elevada, empurrando o gás para os pulmões mais rapidamente.
    •  
    • 4.1.4 Alta Ventilação Minuto: O aumento da ventilação minuto (seja pelo aumento do volume corrente ou da frequência respiratória) entrega mais anestésico aos alvéolos por unidade de tempo, acelerando o processo.
    •  
  • 4.2 Fatores que ATRASAM a indução:

    • 4.2.1 Alta Solubilidade: Agentes com alta solubilidade (como Isoflurano e Halotano) são mais “retidos” no sangue, o que atrasa a sua chegada ao cérebro.
    •  
    • 4.2.2 Alto Débito Cardíaco: O aumento do fluxo sanguíneo (por exemplo, durante exercício ou estresse) “sequestra” o anestésico do alvéolo e o distribui para os tecidos, retardando o acúmulo no cérebro.
    •  
    • 4.2.3 Baixo Fluxo de Gases Frescos (FGF): Um FGF baixo pode resultar em uma concentração inspirada instável e baixa, desacelerando a indução.
    •  
    • 4.2.4 Baixa Ventilação Minuto: A diminuição da ventilação minuto (como em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica) entrega menos anestésico aos alvéolos, atrasando a indução.
    •  
  1. 5. O Efeito do Shunt na Indução Anestésica


    • Definição: Um shunt (ou desvio) pulmonar ocorre quando o sangue passa dos átrios ou ventrículos direitos para o esquerdo sem ser oxigenado nos pulmões. Isso acontece comumente em pacientes com doenças cardíacas congênitas (shunt direito-esquerdo) ou em pacientes com patologias pulmonares severas (shunt intrapulmonar).
    •  
    • Impacto na Indução: O sangue desviado (“shunted blood”) se mistura ao sangue arterial oxigenado e com o anestésico, diminuindo a sua concentração. Esse fenômeno tem um efeito clinicamente significativo apenas em anestésicos de baixa solubilidade (como Desflurano e Sevoflurano), pois a sua concentração no sangue é mais facilmente afetada por um “volume” de sangue não-anestesiado. O efeito é praticamente insignificante para anestésicos de alta solubilidade.
    •  
    • O Efeito na Prática: Pacientes com grandes shunts direito-esquerdo têm uma indução mais lenta com anestésicos inalatórios de baixa solubilidade, pois a diluição do anestésico no sangue arterial retarda a sua chegada ao cérebro.
    •  
  2. 6. Mecanismo de Ação: Agindo em Múltiplos Alvos


    • Os anestésicos inalatórios não possuem um único “sítio de ação”. Em vez disso, agem em múltiplas áreas do sistema nervoso central.
    •  
    • 6.1 Receptores GABAa: Os agentes halogenados (como Sevoflurano, Isoflurano, Enflurano e Halotano) potencializam a ação do neurotransmissor inibitório GABA no receptor GABAa.
    •  
    • 6.2 Receptores NMDA: Agentes como o Óxido Nitroso () e o Xenônio atuam como antagonistas de receptores NMDA, contribuindo para seus efeitos analgésicos e dissociativos.
    •  
  1. 7. Definindo a Potência Anestésica: CAM e Seus Conceitos

  2.  
  • 7.1 CAM (Concentração Alveolar Mínima): A CAM é a concentração de um anestésico inalatório no alvéolo, no estado de equilíbrio, que previne o movimento em resposta a um estímulo cirúrgico padronizado (como uma incisão) em 50% dos pacientes. Por isso, o conceito é idêntico ao da DE50 (Dose Efetiva Média) para imobilidade.
  •  
  • 7.2 CAM da Inconsciência (CAM Consciousness): É a concentração que causa a perda de consciência em 50% dos pacientes. Este valor é de aproximadamente 0,4 a 0,5 CAM.
  •  
  • 7.3 CAM da Amnésia (CAM Amnesia): É a concentração que causa amnésia anterógrada (incapacidade de formar novas memórias explícitas) em 50% dos pacientes. O valor da CAM da Amnésia é de aproximadamente 0,25 a 0,5 CAM.
  •  
  • 7.4 CAM do Despertar (CAM Awake): É a concentração na qual os pacientes recuperam a consciência após a anestesia geral, que varia entre 0,3 e 0,5 CAM.
  •  
  • 7.5 CAM-BAR (Blunting Autonomic Reflexes): A concentração de anestésico necessária para atenuar a resposta autonômica a um estímulo cirúrgico. Ela é aproximadamente 1,5 vezes a CAM.
  •  
  • 7.6 DE95 e DE99: Assim como a DE50 para a CAM, usamos a DE95 e a DE99 para definir as concentrações que previnem o movimento em 95% e 99% dos pacientes, respectivamente. O valor da DE95 é aproximadamente 1.3 vezes a CAM, e a DE99 é aproximadamente 1.5 vezes a CAM.
  •  
  • 7.7 Fatores que Influenciam a CAM: 
  •  
  • A CAM é relativamente constante para uma mesma espécie e não sofre influência significativa do sexo ou da duração da anestesia. No entanto, ela pode ser alterada por outros fatores.
  •  

Fatores que Aumentam e Diminuem a CAM

 

7.7.1 Fatores que AUMENTAM a CAM:

 

  • Hipertermia: Aumenta o metabolismo cerebral e, consequentemente, a necessidade de anestésico.
  • Idade: A CAM é maior em lactentes (1-6 meses de vida).
  • Uso Crônico de Álcool: Pacientes alcoólatras crônicos desenvolvem tolerância, exigindo maior concentração.
  • Uso Agudo de Anfetaminas e Cocaína: Aumentam a atividade adrenérgica no SNC.
  • Hipernatremia: Aumento dos níveis de sódio no sangue.
  • Indivíduos Ruivos: Possuem uma variação genética que pode aumentar a necessidade de anestésico em cerca de 20%.
  •  

7.7.2 Fatores que DIMINUEM a CAM:

 

  • Idade: Diminui em cerca de 6% por década após os 40 anos.
  • Uso Agudo de Álcool: Efeito sinérgico depressor do SNC.
  • Uso Crônico de Anfetaminas: Causam depleção de neurotransmissores no SNC.
  • Hipoxemia ( mmHg): Causa depressão cerebral, diminuindo a necessidade de anestésico.
  • Hipotensão Arterial Média ( mmHg): Diminui o fluxo sanguíneo cerebral e a entrega do anestésico.
  • Gravidez: Redução da CAM em 25-40% devido à progesterona.
  • Hiponatremia: Diminuição dos níveis de sódio no sangue.
  • Anemia Severa (): Diminui a entrega de oxigênio ao cérebro.
  • Adjuvantes Farmacológicos: Todas as drogas que deprimem o SNC, como opioides, benzodiazepínicos, agonistas -adrenérgicos (Clonidina, Dexmedetomidina) e outros anestésicos venosos (Propofol, Etomidato), diminuem a CAM.
  •  
  1. 8. CAM e Indução em Populações Especiais


    1. 8.1 Idosos: A CAM diminui com a idade, em aproximadamente 6% por década após os 40 anos. Essa redução é atribuída à diminuição do metabolismo cerebral, menor fluxo sanguíneo e alterações na função de neurotransmissores.
    2.  
    3. 8.2 Gestantes: A CAM em mulheres grávidas diminui em cerca de 25-40%. Isso é causado, em parte, pelo aumento de hormônios como a progesterona, que têm efeitos sedativos.
    4.  
    5. 8.3 Neonatos: O padrão da CAM em crianças é único. A CAM é mais alta em lactentes de 1 a 6 meses de idade do que em recém-nascidos e adultos. Após os 6 meses, a CAM começa a diminuir até atingir os valores adultos.
    6.  

9. A Dinâmica da Ventilação: Por que a Idade e a Gravidez Mudam a Indução?

 

A velocidade com que a concentração do anestésico no alvéolo () aumenta em relação à concentração inspirada () não depende apenas da solubilidade do agente, mas também da “dinâmica do reservatório pulmonar”. Em outras palavras, a rapidez da indução é diretamente influenciada pela proporção entre a Ventilação Alveolar () e a Capacidade Residual Funcional (CRF).

 

O Conceito: Pense na CRF como o “volume de estoque” do seu pulmão e na como a “taxa de entrega” do anestésico. Quanto maior a taxa de entrega e menor o volume do estoque, mais rápido o estoque atinge a concentração desejada.

 

  1. 9.1 Em Neonatos (indução muito rápida):

    1. Ventilação Alveolar (): MAIOR. Os recém-nascidos têm uma taxa metabólica elevada e, consequentemente, uma frequência respiratória mais alta.
    2.  
    3. Capacidade Residual Funcional (CRF): MENOR. Por serem pequenos, eles têm um volume pulmonar muito menor.
    4.  
  • Relação /CRF: EXTREMAMENTE MAIOR. Essa alta relação é o principal motor da indução veloz, pois uma grande quantidade de gás fresco e anestésico é entregue a um pequeno volume pulmonar em cada respiração.
  •  
  1. 9.2 Em Gestantes (indução mais rápida):

    1. 9.2.1 Ventilação Alveolar (): MAIOR. A progesterona e o aumento do metabolismo materno levam a um aumento do volume corrente e da frequência respiratória.
    2.  
    3. 9.2.2 Capacidade Residual Funcional (CRF): MENOR. O útero grávido eleva o diafragma, diminuindo a CRF.
    4.  
  • 9.2.3 Relação /CRF: MAIOR. Assim como nos neonatos, o aumento da ventilação e a diminuição do reservatório pulmonar aceleram a indução.
  •  
  1. 9.3 Em Idosos (indução mais lenta):

    1. 9.3.1 Ventilação Alveolar (): MENOR. A complacência da parede torácica e a força muscular respiratória diminuem com a idade, o que reduz a ventilação.
    2.  
    3. 9.3.2 Capacidade Residual Funcional (CRF): MAIOR. A perda da elasticidade pulmonar tende a aumentar a CRF.
    4.  
  • 9.3.3 Relação /CRF: MENOR. A menor “taxa de entrega” para um “estoque” maior de ar torna a indução mais lenta.
  •  
  1. 10. Efeitos Específicos e Considerações Ambientais

  2.  

Propriedades Físicas: Ponto de Ebulição e Pressão de Vapor

 

O ponto de ebulição e a pressão de vapor de um agente são propriedades físicas importantes que determinam como ele será vaporizado.

 

  1. 10.1 Pressão de Vapor: É a pressão que as moléculas de um líquido exercem quando em equilíbrio com o seu vapor na fase gasosa. Em outras palavras, é a tendência do líquido de se tornar gás.
  2.  
  3. 10.2 Ponto de Ebulição: É a temperatura na qual a pressão de vapor do líquido se iguala à pressão atmosférica.
  4.   

  1. Tabela 2. Resume essas propriedades para os anestésicos inalatórios mais comuns
  2.  
  3. 11. Efeitos Específicos e Considerações Ambientais


    1. 11.1 Óxido Nitroso (N2O):

      1. Toxicidade: Seu uso prolongado pode levar à inibição da enzima metionina sintase, resultando em anemia megaloblástica e neurotoxicidade. Também pode causar o acúmulo de homocisteína, um fator de risco para eventos cardiovasculares.
      2.  
      3. Contraindicações: Sua baixa solubilidade faz com que o N2O se difunda rapidamente para cavidades gasosas, expandindo-as. É contraindicado em cirurgias de neurocirurgia (pneumoencéfalo), torácicas (pneumotórax), oftalmológicas (bolhas de ar intraoculares), otológicas (enxerto de tímpano), e laparoscópicas.
      4.  
  • Poluição Ambiental: É um gás de efeito estufa com um potencial de aquecimento global 300 vezes maior que o CO2.
  •  
  1. 11.2 Xenônio:

    1. Propriedades Físicas: Um gás inerte com um coeficiente sangue/gás muito baixo (0,14), resultando em uma indução e recuperação extremamente rápidas.
    2.  
    1. Mecanismo de Ação: Funciona como um antagonista competitivo nos receptores NMDA e também influencia os receptores de serotonina, potássio e GABAa.
    2.  
  • Vantagens: Não é teratogênico, não é tóxico e causa estabilidade hemodinâmica.
  •  
  1. Desvantagens: É extremamente caro e possui um potencial de asfixia em ambientes não ventilados devido à sua densidade.
  2.  
  1. 11.3 Halotano:

    1. Efeitos Cardiovasculares: Tem um potente efeito depressor miocárdico, levando à hipotensão, e sensibiliza o miocárdio à adrenalina, podendo causar arritmias.
    2.  
    3. Metabolismo e Toxicidade: É o agente mais metabolizado (cerca de 20%), podendo levar à toxicidade hepática (hepatite por Halotano).
    4.  
  2. 11.4 Enflurano:

    1. Efeitos Neuro: Em altas concentrações ou com hiperventilação, pode causar atividade epileptiforme (convulsões).
    2.  
    3. Metabolismo: Seu metabolismo produz íons fluoreto, que podem ser tóxicos para os rins.
    4.  
  3. 11.5 Isoflurano:

    1. Efeitos Cardiovasculares: Causa vasodilatação coronariana, o que pode levar ao “fenômeno de roubo coronariano”. Possui menor depressão miocárdica em comparação com o Halotano.
    2.  
  4. 11.6 Sevoflurano:

    1. Efeitos Cardiovasculares: Causa menor alteração hemodinâmica e é o agente de escolha para indução inalatória em pediatria.
    2.  
    3. Metabolismo e Toxicidade: Sua degradação com o absorvedor de CO2 pode formar o Composto A, que é um nefrotóxico em ratos.
    4.  
  5. 11.7 Desflurano:

    1. Propriedades Físicas: Requer um vaporizador “especial” aquecido e pressurizado devido ao seu baixo ponto de ebulição (22,8°C), próximo à temperatura ambiente. Isso o diferencia de outros agentes, que usam vaporizadores simples.
    2.  
    3. Efeitos Cardiovasculares: Aumentos rápidos de sua concentração podem causar um aumento transitório no tônus simpático (taquicardia e hipertensão).
    4.  
  6. 11.8 Metoxiflurano:

    1. Efeitos Cardiovasculares: Depressor miocárdico e sensibiliza o coração à adrenalina, similar ao halotano.
    2.  
    3. Metabolismo e Toxicidade: É o agente mais solúvel e, consequentemente, o mais metabolizado de todos os halogenados. Sua metabolização resulta em altos níveis de íons fluoreto inorgânico, que podem causar nefrotoxicidade. Foi por essa razão que seu uso foi descontinuado na anestesia e hoje é raramente utilizado, exceto em alguns países para analgesia em emergência.

 

  1. 12. Impacto na Vasoconstrição Pulmonar Hipóxica (VPH) A Vasoconstrição Pulmonar Hipóxica (HPV) é um reflexo fisiológico vital que desvia o fluxo sanguíneo de áreas pulmonares mal ventiladas (e, portanto, hipóxicas) para áreas bem ventiladas. Esse mecanismo serve para otimizar a relação ventilação-perfusão () e, consequentemente, a oxigenação arterial. Todos os anestésicos voláteis inibem a vasoconstrição pulmonar hipóxica de forma dose-dependente.
  2.  
  1. 13. Efeitos Gerais e Potencialização do Bloqueio Neuromuscular


    1. Náuseas e Vômitos: Todos os agentes inalatórios, incluindo o e os halogenados, podem causar náuseas e vômitos pós-operatórios (NVPO). O Óxido Nitroso é particularmente emetogênico, e seu uso, especialmente em cirurgias de longa duração, aumenta o risco de NVPO. O impacto dos halogenados é geralmente menor, mas ainda relevante.
    2.  
    3. Efeitos Respiratórios: Todos os agentes inalatórios causam depressão respiratória dose-dependente, diminuindo a resposta ao .
    4.  
    5. Efeitos Cardiovasculares: Todos, com exceção do , causam hipotensão dose-dependente.
    6.  
    7. Potencialização Neuromuscular: Todos os agentes inalatórios, exceto o , potencializam os bloqueadores neuromusculares. A potencialização segue a seguinte ordem: Desflurano > Sevoflurano > Isoflurano > Halotano.
    8.  

Dominar os anestésicos inalatórios é fundamental para a sua jornada na Anestesiologia. Este guia é um excelente ponto de partida, mas a prática e a revisão constante são o que solidificam o conhecimento.

 

Para continuar aprofundando, recomendamos duas ações:

 

  • Explore o Hypnare: Mergulhe em outros artigos e guias disponíveis no nosso site. Temos uma vasta gama de conteúdo que vai te ajudar a conectar a farmacologia com o manejo clínico, a monitorização e os desafios diários da especialidade.
  •  
  • Faça nossos flashcards de inalatórios para sedimentar o conhecimento: Esta é uma das melhores técnicas de estudo para memorizar informações críticas e acessá-las rapidamente durante uma prova ou, mais importante, no dia a dia do centro cirúrgico.
  •  

Continue estudando e explorando. Estamos aqui para te apoiar em cada passo!

 

Leitura Complementar:

 
  • Miller Anestesia
  • Bases do Ensino da Anestesiologia
  • Barash Anestesiologia
Curvas de Indução para Anestésicos

Curvas de Indução Fa/Fi